sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Curto surto polifônico



E não dá pra pensar diferente, mesmo. Talvez porque o contraste seja grande e cada vez maior a consciência de que pouco (ou nada) pode ser feito, em caráter permanente, em prol de.

... But I´m not crazy, I´m just a little unwell
I know right now you can´t tell
But stay a while and maybe then you´ll see
A different side of me...

Se é igualmente certo que tão humano quanto o prazer é o sofrer, talvez, então, haja algo de "natural" naquilo que se convencionou chamar: o estranho. Será o "novo" mesmo "novo" ou serei eternamente limitado por velhos e arraigados parâmetros dentro daquilo que, num ato de aparente ousadia, me atrevi a chamar de "inédito"? Addicted to daydreaming - damn!

... Eu quero ficar só, mas sozinho, só, eu não consigo...

Acordei com um verso da Cecília (Meireles) na cabeça, hoje: "- Em que espelho ficou perdida a minha face?". Arrisco dizer que não foi devaneio. Foi, antes, pressentimento, premonição, presságio... Busco a comunicação com o comum. Comunhão com o comum. Quero me mancomunar com ele! P-R-E-C-I-S-O!

I want you, but I want you to understand: I leave you, I love love you.

Esta tarde reli alguns trechos de A Hora da Estrela. Estou "Macabéa", de novo. "Macabéa" me lembra "Mal Acabada", "Malacabada" - no linguajar popular. Maca. Béa. Todos nós somos um pouco "retirantes nordestinos de nós mesmos", eu acho. Se for assim, nossos sonhos devem ficar ao sul de nosso ser, não é? Quero um SUL que me tire desse sufoco! Perdi o foco! Locus... CARPE DIEM, CARPE DIEM! Assim como Macabéa, tenho o direito ao grito!

... say your lines but do you feel them?
Do you mean what you say
when there's no one around,
watching you, watching me?
One lonely star
(one lonely star, you don't know who you are)

Quanto ao futuro - incerta estrela de mil pontas, expelida pela boca de - ninguém! Afinal Macabéa não era ninguém, era todos nós! - não me atrevo a ter mais que os sonhos da "Malacabada" ao sair da consulta com a cartomante. Pego a me questionar: preciso eu de uma cartomante? Preciso eu de um adivinho? Não... Preciso eu de mim mesmo! Porém não tenho esmo. Estou na mesma! LESMA que sou!

No change, I can't change
I can't change, I can't change
But I'm here in my mold
I am here in my mold
But I'm a million different people
from one day to the next
I can't change my mold
No, no, no, no, no

Fugitivo de mim, minhas células, alvoroçadas, espalham cartazes de "PROCURA-SE" por todo meu corpo. Onde terei me refugiado?
O que me assusta é saber que daqui algumas horas a luz do dia voltará a clarear tudo e a despertar a vida, que eu queria (ah, como queria!) que - que dormisse até depois de amanhã. A luz me fará sentir medo e insegurança e terei receio de, mais uma vez, tentar fazer parte de um mundo que não é o meu: mosca atraída pelo brilho da luz que será o seu (MEU) fim.
Não, não corro tal risco. Há risco? Arrisco. Tenho, encerrado em mim, meu próprio fim.

FIM ALL ... FIMALL ... FINAL

Curto surto.

Nenhum comentário:

Postar um comentário