Não, eu não abandono as palavras.
Elas é que me abandonam. Elas, fugazes e etéreas, é que vão borboleteando para longe de mim no sem fim do silêncio, onde moram, em estado de (...) as palavras que ainda esperam por acontecer.
Sob a forma de som, de letra, de pensamento. As palavras esperam ansiosas pelo dia seu de desabrochar em acontecimento. De romper a fina película que separa o "ainda não" do "já consumado". Serão as palavras ainda mais ansiosas que aqueles que delas se servem para traduzir emoções, pensamentos e sentimentos ou será a angústia ainda a mesma para ambas as partes?
Fico me perguntando quem é que exerce o domínio sobre quem, afinal.
Dizer às vezes é tão tolo. Gratuito.
Escrever é sempre mais arte. No papel (real ou virtual) as palavras parecem ganhar forma mais real, porque podem ser vistas, apreciadas, degustadas e namoradas enquanto COISA, enquanto SIGNO CONCRETO de algo, por vezes, muito maior que elas mesmas, pequeninas.
"... pequenina e feiticeira. Ando no meio das flores procurando quem me queira..." - certamente que a tal borboleta não se importaria de emprestar o versinho a palavra qualquer que dele quisesse se revestir a título de definição.
Palavras esperam que as queiramos para poder, enfim, conhecerem a Luz.
No útero do não-dito descansam todas as palavras-feto esperando o momento certo e o necessário afeto para quebrarem, sutis ou ferozes, a casca do ovocabulário que existe em todos nós.
Exatamente agora, valho-me da metalinguística para voltar o discurso sobre seu próprio percurso e encontrar, quem sabe, abrigo confortável em qualquer lacuna dos interstícios de meu silêncio.
Palavras, quando silenciosas, são muito mais reveladoras: saem de seu reduto só ALMA, sem nenhum CORPO; daí que lhes possamos analisar MELHOR e mais CLARAMENTE o sentido.
Enxergar a alma é enxergar TUDO, certo?
Olho de perto as palavras para que me contem coisa qualquer que ainda não descobri mas pretendo.
Coisa qualquer do mais absoluto essencial que ainda não me foi revelado mas espera. Pacientemente espera por que eu chegue até ele.
Uma vez lá, quem sabe?, eu consiga estabelecer com a realidade em que me circunscrevo, diálogo mais produtivo, edificante, honesto.
É que da maneira como está, me ponho cansado.
Da maneira como acontece, me intimido.
Gosto muito da verdade para me submeter a hipocrisias.
Calo-me, então.
E divido com vocês o abstrato e inexprimível dos interstícios de me ser em (quase) silêncio...
Elas é que me abandonam. Elas, fugazes e etéreas, é que vão borboleteando para longe de mim no sem fim do silêncio, onde moram, em estado de (...) as palavras que ainda esperam por acontecer.
Sob a forma de som, de letra, de pensamento. As palavras esperam ansiosas pelo dia seu de desabrochar em acontecimento. De romper a fina película que separa o "ainda não" do "já consumado". Serão as palavras ainda mais ansiosas que aqueles que delas se servem para traduzir emoções, pensamentos e sentimentos ou será a angústia ainda a mesma para ambas as partes?
Fico me perguntando quem é que exerce o domínio sobre quem, afinal.
Dizer às vezes é tão tolo. Gratuito.
Escrever é sempre mais arte. No papel (real ou virtual) as palavras parecem ganhar forma mais real, porque podem ser vistas, apreciadas, degustadas e namoradas enquanto COISA, enquanto SIGNO CONCRETO de algo, por vezes, muito maior que elas mesmas, pequeninas.
"... pequenina e feiticeira. Ando no meio das flores procurando quem me queira..." - certamente que a tal borboleta não se importaria de emprestar o versinho a palavra qualquer que dele quisesse se revestir a título de definição.
Palavras esperam que as queiramos para poder, enfim, conhecerem a Luz.
No útero do não-dito descansam todas as palavras-feto esperando o momento certo e o necessário afeto para quebrarem, sutis ou ferozes, a casca do ovocabulário que existe em todos nós.
Exatamente agora, valho-me da metalinguística para voltar o discurso sobre seu próprio percurso e encontrar, quem sabe, abrigo confortável em qualquer lacuna dos interstícios de meu silêncio.
Palavras, quando silenciosas, são muito mais reveladoras: saem de seu reduto só ALMA, sem nenhum CORPO; daí que lhes possamos analisar MELHOR e mais CLARAMENTE o sentido.
Enxergar a alma é enxergar TUDO, certo?
Olho de perto as palavras para que me contem coisa qualquer que ainda não descobri mas pretendo.
Coisa qualquer do mais absoluto essencial que ainda não me foi revelado mas espera. Pacientemente espera por que eu chegue até ele.
Uma vez lá, quem sabe?, eu consiga estabelecer com a realidade em que me circunscrevo, diálogo mais produtivo, edificante, honesto.
É que da maneira como está, me ponho cansado.
Da maneira como acontece, me intimido.
Gosto muito da verdade para me submeter a hipocrisias.
Calo-me, então.
E divido com vocês o abstrato e inexprimível dos interstícios de me ser em (quase) silêncio...






